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Transições atuais devem ser mais seguidas que combatidas, mostra levantamento

Reuters aponta que energias renováveis, inclusão social, trabalho remoto e outras grandes transições não devem regredir nos próximos anos

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por Redação fevereiro 3, 2022
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A Reuters publica um documento anual com as principais previsões para finanças, mercados e governos. Nesta edição, chamada “A World in Transition” e divulgada nos primeiros dias de janeiro, a constatação macro foi que as grandes transições costumam ser mais aceitas do que contestadas e muitas delas estão em curso.
É o que explica a introdução do documento, publicada na própria Reuters e que destaca a energia renovável como o primeiro exemplo de transição que tende a ser simplesmente mais seguida do que combatida nos próximos anos. “Investidores e empreendedores que conseguirem se adaptar às mudanças e suas convulsões concomitantes colherão as maiores recompensas. Mas eles devem estar preparados para fazer sacrifícios ao longo do caminho. Sem inclusão social [por exemplo], essas transformações podem gerar violência”, pontua a pesquisa.
A pesquisa também detalha que governos e empresas – de todos os ramos, incluindo indústrias pesadas como as de cimento, transportes e agricultura – devem empreender esforços cada vez mais organizados para atender aos anseios ambiciosos das próximas gerações sobre ESG.

Trabalho e digitalização são grandes transições em curso

No mundo corporativo, a digitalização deve ganhar ainda mais força com a pandemia persistindo pelo seu terceiro ano, inclusive com a ameaça constante de novas cepas. Dessa forma, identifica o estudo da Reuters, veremos com ainda mais evidência quem são os “vencedores e perdedores” dessa, que é uma das grandes transformações em curso e que igualmente deve ser mais seguida do que combatida.“Mesmo quando as pessoas voltarem aos escritórios, a dinâmica pós-pandemia em comunicações, treinamento, viagens e interação social terá remodelado permanentemente o local de trabalho e a produtividade. Isso tem implicações para a natureza do trabalho, propriedade e planejamento urbano, apresentando novos desafios para os líderes”. Como nenhum líder foi treinado na Harvard Business School ou no INSEAD para administrar organizações extensas com muitos funcionários trabalhando em casa, o estudo prevê que essa transição causará alta rotatividade de CEOs, investimentos em robotização e retorno aos empregos offshore.

Outro ponto abordado é a inquietação da inflação, obrigando governos a mexerem no cofre. O dinheiro, aliás, é um aspecto que passará por grandes transformações também, à medida que os bancos centrais tentarem acompanhar a dinâmica emergente das criptomoedas.

A disputa cada vez mais acirrada entre China e Estados Unidos (inclusive o levantamento chama isso de “guerra cada vez mais fria”), deve dominar a geopolítica e o comércio internacional. 

Sem inclusão social, grandes transições correm riscos

Os desdobramentos, contudo, dependerão das eleições do parlamento norte-americano, onde uma derrota dos democratas pode inviabilizar grande parte dos projetos de Joe Biden, assim como da provável confirmação de mais um mandato (se não vitalício) de Xi Jinping. Ainda influenciarão as movimentações europeias, com Emmanuel Macron devendo ser reeleito e com a Alemanha tendo um novo chanceler após 16 anos de comando de Angela Merkel.

“Isso exigirá uma inclusão social extraordinária. Governos, empresas e contribuintes (especialmente os mais ricos) precisam se preparar proativamente para os sacrifícios necessários”, pontua o documento. Caso contrário, a situação pode provocar agitação civil, inclusive atrapalhando objetivos amplos, como a limitação do aquecimento global, cujos efeitos serão suportados desproporcionalmente pelos mais pobres. “Esperamos que o mundo dos negócios e os mercados financeiros ajudem a guiar o caminho para uma sociedade mais justa e mais verde neste ano”, completa o material.