close

Projeto educacional depende de um projeto de país

Educadores avaliam que o Brasil deve alinhar seu projeto de educação a um projeto de país.

por Redação dezembro 27, 2021
  • Educação e aprendizagem Mais informações
    Educação e aprendizagem
  • Gestão pública Mais informações
    Gestão pública

A desigualdade educacional, que começa no berço e vai sendo ampliada ao longo da vida de milhões de brasileiros, aumentou na pandemia. E os fatos para comprovar a afirmação não são poucos, a começar pelo desempenho no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), onde ocupamos a segunda pior posição em termos de desigualdade educacional dentre os 79 países avaliados. Os detalhes incluem um baixo desempenho escolar em leitura, matemática e ciências. O exemplo do Pisa – e de outras avaliações que colocam o país em uma situação crítica – foram discutidos por um grupo de especialistas reunidos pela Fundação Dom Cabral (FDC).

O encontro, realizado em 27 de setembro deste ano , foi o primeiro da iniciativa Imagine Brasil, criada pela FDC. Com o apoio, engajamento e mobilização de Mozart Ramos, membro do Conselho Nacional de Educação e Titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, do Instituto de Estudos Avançados da USP, vários educadores brasileiros de referência participaram dessa primeira edição. Foram eles: Cláudia Costin, Cláudio Moura Castro, Daniel de Bonis, Fernando Abrucio, Henrique Paim, Ivan Siqueira, Maria Inês Fini, Rafael Lucchesi e Ricardo Henriques.

Segundo a FDC, eles foram “convidados a refletirem e compartilharem as suas expectativas e aspirações para a educação no Brasil em 2030”. O ponto inicial de reflexão foi a situação já descrita acima e outros cenários também preocupantes, como as lacunas nos ensinos profissionalizante e superior. 

Com base nisso, os especialistas convidados lembraram da necessidade de se casar a agenda da educação com a nova economia, com as novas profissões e com a quarta Revolução Industrial. “Será necessário melhorar a questão cognitiva, corrigir as distorções da matriz do ensino superior e adequar os cursos, com melhora expressiva da qualidade, considerando também o histórico dos indivíduos”, detalha material da FDC a respeito do encontro.

Entre as contribuições dos educadores está a indicação de que o Brasil precisa fazer o “ponteiro do Pisa” se mexer e buscar atingir os níveis dos países da OCDE nesta avaliação. Outra aspiração é ser efetivo na erradicação do analfabetismo, que ainda é um problema real. 

O caminho apontado também relaciona o projeto educacional com um projeto de país e foi destacado que o Brasil não tem um projeto macro. “Infelizmente, o debate sobre a educação no Brasil ficou entre os educadores, não sendo uma discussão da sociedade, e isto precisa ser mudado”, detalha também o documento da FDC.