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O que e de quem é o app de segurança doméstica que venceu o “Expo Favela: o Desafio”

App de segurança doméstica desenvolvido por Mateus de Lima Diniz já está em 12 países e combate um problema grave no Brasil e no mundo: a violência doméstica.

por Redação maio 16, 2022
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A Expo Favela, evento do qual a Fundação Dom Cabral é parceira e que reuniu mais de 30 mil pessoas durante três dias em São Paulo, no último mês de abril, também trouxe 350 empreendedores das comunidades brasileiras para um contato direto com os visitantes. Entre eles, dez foram escolhidos para participar do reality show Expo Favela: o Desafio, produzido pelo programa É de Casa, da Rede Globo de Televisão e cujo vencedor foi o paulista Mateus de Lima Diniz. Ele é criador do aplicativo contra violência doméstica Todos por Uma e poderá investir o prêmio de R$ 80 mil no próprio negócio, ampliando a atuação do aplicativo que já está presente em 12 países.

O aplicativo criado por Mateus atende uma demanda real no Brasil, onde uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos afirma já ter sofrido algum tipo de violência nos últimos 12 meses, de acordo com uma pesquisa do Datafolha, divulgada em junho de 2021. O levantamento revela ainda que oito mulheres são agredidas fisicamente por minuto no país.

Com a pandemia, as ocorrências de violência doméstica, que já eram altas, cresceram ainda mais com as medidas de isolamento social.

O app de segurança doméstica do Mateus

A ideia do aplicativo de Mateus, aliás, nasceu da própria experiência dele, cuja mãe foi agredida pelo marido, pai do desenvolvedor. Quando tinha 13 anos, o então adolescente foi, inclusive, expulso de casa por defender a mãe. “O Todas por Uma nasceu da dor de uma criança querendo transformar o mundo”, definiu ele.

O app de segurança doméstica tem um sistema simples para acionar pessoas pré-cadastradas (chamadas de Anjos) que podem auxiliar a vítima da violência doméstica, inclusive com documentação como BOs registrados anteriormente.

O app também sinaliza locais potencialmente perigosos, indicando áreas de risco por meio de uma sinalização de cores e ainda incorpora inteligência artificial, que pode ser útil em caso de sequestros e outros incidentes similares. O pedido de socorro é “mascarado” para uma página de propaganda, evitando que o agressor identifique que o processo de ajuda foi iniciado.

Todos por Uma foi um dos destaques do Expo Favela

A startup criada por Mateus também comprova a opinião de um dos organizadores do Expo Favela, o ex-camelô e atual CEO da Favela Holding, Celso Athayde. “Não é só uma feira, é um movimento que não tem volta”, disse ele durante o evento.

O Expo Favela trouxe pessoas de comunidades de todo o país e concentrou 350 empreendedores oriundos delas. Hoje,

O Brasil tem aproximadamente 13,1 mil favelas, um número que teria dobrado na última década, reunindo cerca de 17 milhões de pessoas, e o Expo Favela trouxe empreendedores de algumas delas para expor os seus negócios. A aproximação dos empreendedores das comunidades de outros atores, na avaliação dos organizadores do evento, é fundamental para o desenvolvimento das pessoas que moram nas comunidades e também pode ser forte motor econômico para o páis. “A favela precisa falar a língua do empreendedorismo. E já que não nos chamam nos eventos, decidimos criar o nosso próprio e chamá-los para conversar sobre os temas da base do empreendedorismo. Teremos pessoas da favela refletindo de igual para igual sobre os mais diversos temas”, explicou Athayde à revista Pequenos Negócios, Grandes Empresas.

E iniciativas não faltam, pois mais da metade dos moradores das favelas quer empreender, segundo o levantamento da Data Favela, divulgado no primeiro dia da feira. A pesquisa também mostra que 57% das pessoas só abriram um negócio próprio por necessidade, mas aponta que 6 milhões das que vivem em favelas sonham em empreender. O levantamento indica ainda que a falta de renda costuma ser o principal motivo que impulsiona os moradores de favelas a empreender e, entre as dificuldades encontradas nessa jornada, está a falta de dinheiro e de crédito, a falta de instrumentos de trabalho adequados e dificuldades na gestão financeira para manter o negócio de pé.