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Janete Vaz, do Grupo Sabin: a mulher pode trilhar o seu caminho

Em entrevista ao Seja Relevante, a co-fundadora do Grupo Sabin, Janete Vaz, conta como construiu a maior rede de laboratórios do país a partir de líderes mulheres

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por Redação agosto 4, 2022
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“Empreendedorismo não tem gênero”, diz Janete Vaz, co-fundadora do Grupo Sabin, uma das maiores empresas de medicina diagnóstica do país, quando perguntada sobre a importância da liderança feminina. Mãe, avó e esposa e também uma das principais líderes do grupo Mulheres pelo Brasil, Janete tem se empenhado em mostrar o caminho para que a liderança feminina se consolide no país. E, segundo ela, isso já está acontecendo. “Hoje, temos mulheres em campos da ciência, tecnologia e muitas empresas estão se mobilizando para mudar. Esse tema está na mesa dos conselhos de administração, dos CEOs”, afirma em entrevista exclusiva ao Seja Relevante. 

À frente de uma empresa fundada por duas mulheres, Sandra Soares Costa e ela, Janete conta que a preocupação da liderança é mostrar como chegar ao resultado e não simplesmente alcançar o resultado em si. Ou seja, a meta é fazer com que cada colaborador atenda ao cliente como se a empresa fosse dele. E é na liderança feminina que se dá essa visão, aproveitando as qualidades de cautela, cuidado e sonho das mulheres. “Trazemos o conselho da escritora goiana Cora Coralina e vamos removendo pedras e plantando flores”, graceja. Leia a entrevista completa:

A liderança feminina ainda é numericamente limitada e você é uma exceção nesse quadro, principalmente no setor e na época que fundou o Grupo Sabin ao lado da sócia Sandra Soares Costa. A que você credita isso?

Quando fundamos o Sabin, não sabíamos que existia essa diferença, seja da existência de líderes mulheres, seja na questão salarial. Fui criada num ambiente em que minhas tias maternas eram mantenedoras. Todas as netas trabalhavam, eram formadas. A Sandra também vem de uma família de mulheres atuantes. Não houve na nossa história nada que justificasse essa dificuldade. No Sabin, a maioria da liderança é feminina. E eu atribuo isso à vontade, à força e à nossa formação. Os líderes precisam estar preparados e, quando uma mulher está preparada, ela tem confiança no seu caminho.

E como você avalia a situação da liderança feminina no Brasil?

Dificuldade no gênero não é só no Brasil. O país não tem diferença em relação ao resto do mundo, embora, em termos de políticas públicas, há muito a caminhar. Quando cheguei à Universidade de Brasília, uma pessoa me disse que eu era inspiração para outras mulheres. É preciso continuar contando histórias como a minha para que as mulheres se inspirem e trilhem esse caminho. O Grupo Mulheres no Brasil, do qual faço parte, luta para mostrar às mulheres que elas são capazes e neste ano, vamos trabalhar para elevar a representatividade das mulheres parlamentares. 

As vitórias individuais, como a sua, ainda não são realidade para a maior parte das mulheres, como lidar com isso?

O tempo em que algumas profissões eram consideradas masculinas ou femininas está passando. Hoje, temos mulheres em campos da ciência, tecnologia e muitas empresas estão se mobilizando para mudar. Esse tema está na mesa dos conselhos de administração, dos CEOs. De cinco anos para cá, temos um crescimento fantástico nessa área. A própria questão da liberdade financeira já é um incentivo para isso. 

E qual é o caminho para melhorar ainda mais nesse aspecto?

Importante dizer que as mulheres não precisam deixar suas características intrínsecas de delicadeza e cuidado pessoal ou abrirem mão da maternidade para serem grandes líderes. Eu mesma já chorei muito e isso é normal pela nossa constituição física e biológica. Eu sempre digo que entre as atitudes de pessoas realizadas estão: traçar objetivos, buscar conhecimento o tempo todo, sonhar, ter coragem.

Como é o trabalho do grupo Mulheres no Brasil?

Nos mobilizamos em comitês, liderados pela Luiza Helena Trajano, levando a discussão para estados e até mesmo outros países. Nos dividimos em diversos comitês como de violência contra a mulher, de educação e de políticas públicas. O da violência considero como um dos principais. Nosso trabalho é influenciar, dar luz aos temas que consideramos estratégicos, incentivar mulheres a buscarem seu caminho e terem coragem. A Fundação Dom Cabral nos ajudou muito a montar o nosso planejamento estratégico. 

Tem um exemplo prático da atuação do grupo?

Sim. Nós fizemos o Unidos pela Vacina. Quando ainda não tínhamos a vacina contra Covid-19,  nos perguntamos o que podíamos fazer para quando ela chegasse não houvesse uma situação de ruptura nos municípios. Nós lançamos umas 30 perguntas e enviamos para 3 mil municípios, só um não respondeu. A partir daí, identificamos as necessidades de cada município, onde foi estabelecido um empresário que se tornou padrinho municipal e o grupo se mobilizou para isso acontecer. Assim, conseguimos saber o que esses municípios precisavam em termos de refrigeração e armazenamento da vacina. Somente aqui em Brasília conseguimos nos mobilizar para entregar 88 mil itens para aquela finalidade. Completamos 80% das necessidades dos municípios a partir dessa liderança feminina, que buscou esse cuidado com saúde e com muita agilidade.

Como você avalia a integração da mulher no mercado de trabalho com outros grupos minorizados?

Pesquisas apontam que quanto mais diversificado é o ambiente empresarial, mais tempo a empresa se mantém no mercado e com mais lucratividade. Assim, acreditamos que precisamos dar oportunidades iguais a todos. E a questão da diversidade não pode ser olhada só na contratação. No Sabin, fazemos isso desde o início, de forma natural.Estamos há 17 anos na lista da Melhores Empresas para se Trabalhar pela Great Place to Work. A  GPTW avalia o clima organizacional, o ambiente de trabalho sob diferentes aspectos, se é um ambiente seguro, saudável, de respeito, de crescimento, de confiança para o colaborador e se valoriza a diversidade. 

Segundo Sonia Consiglio, do SDG Pioneer, do Pacto Global, estamos em um “momento crucial para as questões do ESG”. Qual é a sua visão a respeito?

O ESG virou a palavra da moda. É preciso implantar essa cultura na cabeça das pessoas. Nós, no Sabin, fizemos isso de forma muito natural e empírica, construindo um futuro de investimentos sustentáveis. Quando fundamos a empresa, a Sandra (sócia) e eu estávamos começando a nossa vida de mãe e era natural ensinarmos o respeito às pessoas e ao meio ambiente. É preciso empenho nas questões do ESG. Esse é o caminho certo a seguir. 

Como bioquímica, como você avalia as ações de inovação dentro do contexto do ESG?

Projetos de inovação são considerados estratégicos. No Sabin, inovamos sobretudo em processos, ou seja, a nossa visão de inovação não é só a disruptiva, mas também a incremental. Fizemos investimentos contínuos nessa cultura de inovação, com desenvolvimento de novos produtos e serviços, incluindo uma jornada de investimentos em aceleradoras. Temos um comitê de inovação e sempre estamos pensando em formas de trazer conforto aos nossos clientes. Essa integração todos os dias é o que traz a sustentabilidade na cadeia produtiva.

Essa cultura foi importante quando a pandemia chegou?

Diante dessa nossa cultura de inovações, estávamos preparados quando a Covid-19 chegou. Conseguimos colocar em prática ações que ainda estavam em nível de projeto. Esse sempre foi nosso diferencial. Fomos o segundo laboratório do Brasil a implantar o RT-PCR. Trouxemos o drive-thru com muita rapidez e levamos conhecimento à classe médica. Prova disso é que a própria Roche solicitou se podíamos validar a aquisição dos equipamentos.