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Governança familiar estabelece protocolos para herdeiros

Segundo executiva da FDC, a governança familiar garante a perenidade das empresas e a boa convivência entre os membros da família gestora

planejamento familiar
por Redação março 22, 2022
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Para Sílvia Martins, diretora de programas de desenvolvimento de famílias empresárias e acionistas da Fundação Dom Cabral (FDC), as empresas de controle familiar têm vários desafios. A começar pelos sucessores que têm a intenção de participar da gestão da empresa. 

Analisar a relação entre a família e a empresa, de acordo com ela, é o primeiro passo para desenhar uma estrutura de governança sólida que sustente a perenidade do legado e dos valores através das gerações. Definida como Governança Familiar, a iniciativa envolve as estruturas, fóruns e processos que as famílias utilizam para se organizar, se comunicar e orientar o relacionamento de seus membros com a empresa da qual são donos. 

“Um dos maiores desafios de uma família empresária está na mistura dos assuntos pessoais e profissionais debatidos tanto na reunião da empresa quanto no almoço de domingo”, argumenta Sílvia. A solução seria adotar a Governança Familiar, que contribui para a separação dos assuntos e para que as relações familiares se mantenham harmônicas, independente das relações profissionais, ao estabelecer as regras antes delas serem necessárias. “A iniciativa também contribuiria com a profissionalização da gestão e com maior transparência entre os membros da família na medida que define diretrizes, políticas, normas e regras para mitigar potenciais riscos de conflitos”, completa a executiva. 

Governança familiar oficializa protocolos empresariais

Entre os componentes da Governança Familiar está o protocolo da família, um instrumento co-criado pela atual e futura geração que formaliza, entre outras coisas, a cultura, os valores e estrutura de governança da família empresária. As regras de ética e conduta dos membros familiares (incluindo o padrão de regime de casamento e acordo pré-nupcial, participação em partidos políticos, entre outros) e o estabelecimento de critérios para o processo seletivo de membros da família nos negócios também integram o protocolo, que ainda cria a avaliação de desempenho e desligamento dos familiares envolvidos na gestão, evitando que a capacidade de um membro familiar limite a evolução dos negócios. 

Family office na geração de valor

Já o conselho de família é o fórum guardião da harmonia e do protocolo familiar, além de ser o responsável pela interlocução entre a família e a empresa e por direcionar o Family office (ou escritório da família) em sua estratégia de geração de valor. Seus membros são eleitos pelos familiares e o conselho pode ter comitês temporários de trabalho (carreira das novas gerações por exemplo) e gerir a assembleia da família – encontro periódico com todos os membros familiares que estimula a integração, comunicação e desenvolvimento de seus membros. 

De acordo com Sílvia, uma estrutura de Governança Familiar favorece o desenvolvimento de uma família forte, criando espaço para transparência, equidade e prestação de contas,  pois coloca todos os seus membros direcionando esforços para o objetivo comum: a perenidade dos negócios por meio das gerações. “Quanto antes ela for estabelecida, menor será o impacto nas transições intergeracionais”, defende a executiva da FDC.