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Estudo mostra empreendedorismo de ex-funcionários da Nokia

Estudo da professora Ana Burcharth, da Fundação Dom Cabral, mostra empreendedorismo em ex-funcionários da Nokia

por Redação julho 14, 2022
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O empreendedorismo não acontece do dia para a noite e a experiência de ex-funcionários da Nokia comprova isso. Eles foram alvos de um estudo sobre o tema a partir da crise desencadeada na empresa finlandesa, que fez uma demissão em massa em 2011. A demissão foi uma resposta da corporação a erros estratégicos de posicionamento no mercado de smartphones, mas também uma oportunidade de reavaliação para 59 profissionais escolhidos – e patrocinados – pela companhia para iniciar sua própria empresa. 

O processo foi estudado pela professora Ana Burcharth, da Fundação Dom Cabral (FDC), com coautoria de Pernille Smith e Lars Frederiksen, ambos da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e gerou um artigo no The International Journal of Entrepreneurial Behavior & Research. “Eles receberam um pacote de indenização, bem como uma bolsa, orientação, suporte de rede com incubadoras locais e outros recursos”, detalha a pesquisadora.

Ana adianta que alguns deles fizeram uma boa transição para o empreendedorismo, enquanto outros não. Ela ressalta que o estudo examinou a questão de “por que e como uma nova identidade empreendedora surge (ou não) em conjunto com identidades anteriores relacionadas ao exercício autônomo patrocinado por uma empresa”. 

Segundo ela, o estudo mostrou que novas identidades não surgem no vácuo, mas fazem parte de uma evolução contínua baseada em experiências anteriores, ações presentes e autoprojeções futuras. “A identificação prévia com a Nokia, família, amigos e outros grupos de pares profissionais, juntamente com as funções de trabalho, alimenta uma base de identidades que molda as aspirações dos fundadores para o que eles podem se tornar como fundadores”, explica.

Exemplo da Nokia serve para empresas e futuros empreendedores 

Ana destaca ainda que ao aderir ao programa de autoemprego patrocinado por empresas, os empreendedores entram em um estado intermediário, chamado de estado liminar. Aqueles que se concentram em conservar uma identidade que não existe mais (manutenção da identidade), ao invés de tentar adotar os comportamentos prototípicos de um empreendedor, vivenciam um desencontro: a incongruência identitária. 

Já os empreendedores que preservam a identidade anterior e adicionam características centrais de uma identidade empreendedora (criação de identidade), mesclam autopercepções empreendedoras de sua própria identidade e experimentam a integração dela com congruência.

“Em termos práticos, nosso estudo oferece uma oportunidade de aprendizado para empresas, empreendedores e formuladores de políticas. As empresas que enfrentam o desafio de demitir um grande número de funcionários podem aprender a aliviar seu impacto social e contribuir para o seu desenvolvimento”, resume a pesquisadora. 

Ela ainda avalia que os empreendedores que estão em transição do trabalho remunerado para uma carreira empreendedora podem usar o estudo para avaliar sua identidade e se conscientizar de como a participação em grupos anteriores pode afetar sua nova carreira. Já os formuladores de políticas que visam promover o comportamento empreendedor podem expandir o leque de estratégias eficazes.