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Entender as desigualdades é primordial para as políticas públicas, defende especialista

Estudo é de Ricardo Henriques, especialista em políticas públicas que assume como professor associado especial da Fundação Dom Cabral

por Redação maio 11, 2022

A desigualdade no Brasil tem cor e gênero, segundo o pesquisador Ricardo Henriques, que acaba de assumir como professor associado especial da Fundação Dom Cabral (FDC). Com vasto currículo no meio acadêmico e fundacional – ele é diretor superintendente do Instituto Unibanco – Henriques foi professor da Universidade Federal Fluminense por mais de 30 anos e exerceu vários cargos públicos, inclusive como secretário federal e estadual. Para ele, especialista em políticas públicas, a mulher negra ocupa o extremo da distribuição de renda no país e, quando se fala em educação, o homem negro é – percentualmente – o que menos conclui os 12 anos de ensino fundamental e médio.  

Segundo Henriques, a aplicação de políticas públicas no Brasil é complexa e deve levar em consideração as desigualdades regionais e de renda, raça e educação. Ele destaca que a desigualdade social voltou a crescer no país depois de 2015.

A pobreza extrema, por exemplo, que tinha caído de 16% para 4% nas últimas décadas, voltou a subir, chegando a índices de 6%. Os dados são pré-pandemia, ou seja, a situação pode ter piorado ainda mais.

O padrão de renda mensal média também mostra diferenças regionais, com o Norte e o Nordeste abaixo das médias das demais áreas. Além de regional, a desigualdade se mostra maior em termos de raça e gênero.

Desigualdades têm raça e gênero

Henriques, com a experiência na UFF e no Instituto Unibanco, além das posições como gestor público nas três esferas de governo, destaca que as diferenças de renda por raça e gênero evidenciam fatores históricos do Brasil, como o racismo estrutural.

Essas diferenças, segundo ele, deveriam pautar as políticas públicas. Enquanto o branco, com formação superior completa, tem uma renda média mensal de R$ 7 mil reais e apenas 5% de taxa de desemprego, a mulher negra, com formação em ensino médio incompleto, enfrenta outra realidade: renda média de R$ 1 mil e taxa de desemprego de 30%.

O recorte educacional não é menos perverso em termos de desigualdades. No Brasil, cerca de 54% dos alunos que ingressaram no ensino fundamental terminam os 12 anos de formação (incluindo o ensino médio) com no máximo um ano de atraso. No Chile, por exemplo, o percentual é de 87%. De cada 100 alunos brasileiros, 66 concluem a formação básica de ensino fundamental e médio.

As meninas brancas se saem melhores, com um índice de 88%, enquanto os meninos negros têm os piores resultados: apenas 53, de cada 100, termina o ciclo. Mesmo os alunos mais ricos do Brasil têm índices internacionais que muitas vezes não atingem o padrão dos alunos mais pobres de países desenvolvidos, como a Coreia do Sul.