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Empresas resilientes ganham a cena com a pandemia 

Pandemia revelou que o foco em alto desempenho, caso das empresas unicórnios, não traz necessariamente resiliência

por Redação março 14, 2022
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As empresas unicórnio estão sendo colocadas em cheque pela pandemia. Focadas em alto desempenho e alcançando valores de mercado acima de US$ 1 bilhão, elas também operam com altos riscos. Para o professor Paulo Vicente, da Fundação Dom Cabral (FDC), os unicórnios são a representação metafórica de alto desempenho, mas nem todas elas terão a resiliência para segurar o “plot twist” corporativo, trazido pela pandemia de Covid-19. 

“Entramos em um período turbulento, em que convivem os desdobramentos da pandemia e antigos riscos continuam a nos espreitar, o que desperta a necessidade de mudança para o mantra da “resiliência”, onde a gestão de riscos é mais levada a sério e os modelos de negócios precisam levar em conta a possibilidade de alguns destes riscos surgirem”, argumenta. 

Empresas camelo são resilientes

A avaliação de Paulo Vicente está no artigo Empresas “camelos” ou unicórnios o qual apresenta um outro modelo de empresa, espelhada na figura do animal que resiste a vários ambientes hostis. Para ele, as empresas camelo não são organizações nem elegantes e nem charmosas, mas têm uma característica extremamente importante: elas resistem aos impactos das diversas mudanças bruscas. E mais: antes tidas como inesperadas, essas mudanças passaram a ser vistas agora como tendo uma certa regularidade. “De certa forma, estamos na beira de um deserto com um unicórnio na mão e, procurando um camelo”, alerta o pesquisador. 

Ele dá exemplos práticos para o entendimento do novo cenário ao falar sobre o impacto dessa instabilidade nas cadeias de suprimentos longas e complexas: basta um problema ao longo desse tipo de estrutura para que o sistema todo seja prejudicado. As empresas que se aperceberam do risco estão tomando providências. É o caso daquelas que estão trocando locais de produção offshore, na Ásia, por near shore, no Leste Europeu e na América Latina. “O evento recente do navio que bloqueou o Canal de Suez reforçou a visão de que cadeias longas são mais vulneráveis”, diz Paulo Vicente, trazendo outro exemplo concreto para defender sua ideia de empresa camelo como opção de resiliência. 

E os riscos não são poucos. Para começar, as pandemias vão ficar no radar, pois estatisticamente, elas têm vindo, em média, a cada 6 a 7 anos. Isso significa que devemos ter outra ainda nesta década e uma no começo da próxima, independente de como ela será impactante. A inflação é outro dragão previsível e os números também mostram o porquê: o crescimento a curto prazo do consumo per capita será de 4 a 5 vezes maior do que o atual. “Vale lembrar que, hoje, somos quase 8 bilhões de pessoas e, no futuro, seremos cerca de 11 bilhões. Assim, sairemos de um consumo de 8 para 55 pontos de recursos, o que significa que a demanda por água, comida, minério e energia será sete vezes maior do que a atual”, esclarece Paulo Vicente.