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De cada 10 CEOs no Brasil apenas 1 é mulher ou negro

Pesquisa mostra a trajetória dos CEOs de empresas brasileira e evidencia pouca diversidade de gênero e raça

por Redação janeiro 11, 2022
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Noventa por cento dos CEOs no Brasil são homens e brancos aponta a pesquisa da consultoria PageGroup, em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC). O levantamento confirma a baixa representatividade de mulheres e negros na alta gestão de empresas no país. Os dados do estudo foram obtidos por meio de formulário de pesquisa aplicado no segundo trimestre de 2021 com 149 CEOs ativos em corporações brasileiras de diversos setores da economia, incluindo as áreas de Indústria, Finanças, Saúde, Tecnologia, Transportes, Engenharia e Arquitetura, Agronegócio, Minas e Energia, Alimentos, entre outros.

A pesquisa indicou que 89% dos entrevistados se identificou como brancos e somente 8% do universo pesquisado são mulheres. Esse perfil, inclusive, parece se repetir no universo de executivos que trabalham diretamente como os CEOs. 

O levantamento mostrou que se trata de um grupo pequeno e pouco diverso, com 70% deles tendo no máximo até 20 pessoas. Nesse grupo hierarquicamente inferior aos CEOs, a maioria (80% dos casos) têm menos da metade da equipe formada por mulheres. No caso específico de gênero, a baixa presença de mulheres no pipeline de liderança dificulta a sucessão para a posição de CEO segundo os pesquisadores. 

“O mercado de trabalho reflete as transformações da sociedade. A falta de políticas organizacionais e de interesse no passado fez com que tivéssemos muito menos diversidade hoje”, comenta Ricardo Basaglia, diretor geral da Page Executive, a divisão do PageGroup que participou diretamente do levantamento. 

Paul Ferreira, diretor do Centro de Liderança da Fundação Dom Cabral, lembra que a pesquisa mostra o “resultado da construção de gerações e pontua que as empresas agora “estão focadas na diversidade, dando oportunidades de desenvolvimento para isso”.  

Ferreira destaca que o estudo também considerou a trajetória dos CEOs, em particular as três funções anteriores ao cargo atual. Avaliando o histórico dos executivos, ele explica que foram encontrados vários caminhos até a função de CEO. Os conselhos e acionistas estão utilizando uma rede cada vez mais ampla para definir os perfis dos próximos CEOs. Outra constatação feita a partir da trajetórias dos executivos é revelação dos desafios estruturais que impedem algumas empresas de realizarem avanços mais significativos em suas causas de diversidade e inclusão. “Existe infelizmente uma escassez de diversidade dos executivos nas funções que conduzem com maior probabilidade a cadeira de CEO”, afirma Ferreira.