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Como lançar uma oferta de internet das coisas (IoT) no mercado?

Especialistas debatem os principais desafios que empreendedores precisam enfrentar para lançar um produto de IoT no Brasil

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por Redação julho 6, 2022
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O desenvolvimento de uma solução de Internet das Coisas (IoT) exige planejamento e estudo de mercado, além de uma boa ideia que resolva necessidades de possíveis clientes. Esses desafios foram o tema de um webinar promovido pela Fundação Dom Cabral (FDC), que contou com a mediação de Armando Lucrécio, professor convidado da escola de negócios, onde é responsável pelo novo curso de Desenvolvimento de Produtos de IoT.

Segundo ele, o lançamento de um produto precisa partir da “ideação”, que é qual o objetivo da solução e qual necessidade ela vai suprir. “É a qualidade da ideação que vai trazer o valor do produto ao cliente e isso tem de vir antes mesmo da tecnologia”, pontuou, adiantando que a etapa seguinte envolve o planejamento de mercado e a definição do público-alvo, valor ao cliente e modelo de negócios, entre outras questões.

Silvia Madrigal, CEO na Abundance Xcelerator, aconselhou que é preciso entender bem a dinâmica e o tamanho de mercado em que se quer trabalhar, considerando quem são os competidores e as necessidades de seus clientes. “Saber o tamanho do mercado indica o quanto se pode crescer”, lembrou.

E se os planos envolvem a expansão para o mercado exterior, é preciso pensar até onde se quer chegar e como a solução pode se adaptar a diferentes países. Nos Estados Unidos, por exemplo, as redes móveis são confiáveis, já no Brasil, mesmo nas cidades grandes, operadoras não contam com bom sinal em todas as áreas. “Lançar uma solução IoT que se conecta por 4G, portanto, pode não ser tão interessante e talvez seja necessário optar por Wi-Fi”, explicou a especialista.

Hora do desenvolvimento, e agora?

Miguel Lopes Filho, líder de TI da Motorola Solutions para América Latina, lembrou que o desenvolvimento precisa levar em conta as características de quem vai ser atendido. Um exemplo está nos corpos de bombeiros, atendidos pela Motorola Solutions: boa parte dos seus dispositivos de radiocomunicação precisam suportar altas temperaturas, dadas as características da operação.

Esse pensamento, segundo Miguel, precisa ser consistente ao longo do ciclo de desenvolvimento. Além disso, é preciso prever falhas e estipular um plano B. “Uma câmera IP em um aeroporto não pode falhar porque, se alguém invadir a pista, é preciso identificá-lo”, destacou ele como exemplo de redundância necessária para comunicações críticas.

O executivo também pontuou a necessidade de segurança da informação nos dispositivos, tanto para garantir a privacidade dos dados quanto para impedir o controle da IoT por alguém de fora.

Lucrécio, da FDC, complementou lembrando do conceito de security by design, algo já implementado na maioria das empresas norte-americanas e que busca garantir que o produto foi desenvolvido já pensando em sua cibersegurança.

O professor comenta também que o último passo é o lançamento ao mercado, que deve ser feito com inteligência. “Timing é extremamente importante”, destaca ele, já que lançar cedo demais pode mostrar que os clientes ainda não estavam preparados ou que a solução não é madura o suficiente. Ao mesmo tempo, esperar demais pode permitir que outra pessoa passe na frente e lidere o mercado.

Buscando capital

Claro que para atingir o sucesso é necessário um financiamento e Rogério Saltes, sócio na Fiduc, Capital One e St. James Planejamento Fiduciário, comenta que a ideação pode ser ótima e a empresa até conseguir preparar um bom produto mínimo viável (MVP, na sigla em inglês), mas ele vai precisar de capital para evoluir ou, ao menos, dar agilidade ao lançamento.

 “As rodadas de investimento vão pedir uma série de processos para provar o valor da ideia. Isso é bom porque também traz uma inteligência de governança para o negócio e ajuda a evitar erros de gestão”, disse o investidor. “O melhor é ter uma consultoria financeira para ajudar a enfrentar esse processo”, disse.

Ainda segundo Saltes, o empreendedor de IoT também precisa lembrar que o volume maior de capital vem do exterior, principalmente quando se fala em tecnologia. Ele pontua que os investidores estrangeiros estão entre 10 a 20 anos à frente do mercado investidor brasileiro, com um apetite muito maior, o que torna interessante buscar por esses investimentos em negócios que envolvam internet das cosias. “Isso não quer dizer que é fácil [obter capital estrangeiro]. Tudo vai depender do produto e do momento da empresa”, conclui.