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Como é ser uma líder e médica negra nos Estados Unidos?

Deborah Dyett Desir, primeira presidente negra do American College of Rheumatology, conta sua experiência como líder e médica nos Estados Unidos

medica negra
por Redação abril 19, 2022

Não é simples. Pelo menos é o que se entende pela história de vida da médica Deborah Dyett Desir, que assumirá seu mandato como presidente do American College of Rheumatology (ACR) no ano que vem. Além de uma das primeiras mulheres num cargo dessa importância, ela será a primeira negra a ocupar a presidência da ACR.

O desafio da liderança não será novo, uma vez que Deborah já esteve na presidência da Associação Médica do Condado de New Haven entre 2019 e 2020 e foi co-presidente do comitê legislativo da Connecticut State Medical Society (CSMS). Para ela, que é atualmente a secretária do American College of Rheumatology e da Rheumatology Research Foundation, a experiência de ter convivido com o racismo também não é inédita.


“O silêncio é cumplicidade no racismo”

Desir viveu episódios de preconceito ao exercer a medicina nos Estados Unidos e recentemente compartilhou histórias de pacientes seus que buscaram a segunda opinião de reumatologistas brancos após receberem um diagnóstico feito por ela.

“Eu penso nos pacientes de forma diferente dos colegas, amigos ou pessoas que conheço. Existem comportamentos que eu toleraria de um paciente, mas nunca toleraria de outros colegas. Acredito que os pacientes devem desenvolver uma relação de confiança com seus cuidadores”, argumentou em entrevista ao órgão de divulgação da Universidade de Yale.

De acordo com ela, os pacientes geralmente retornam ao seu consultório para confirmar que o diagnóstico estava correto. “Para mim, ressentir-se disso, ou usar isso contra o paciente, não o ajuda – e é meu trabalho, ou melhor, meu chamado, ajudar os pacientes”, explica Deborah. Ela argumenta ainda que poderia relatar uma série de interações semelhantes, mas acredita que é imperativo que os assistentes e os professores defendam os colegas negros, especialmente os estudantes de medicina e estagiários, quando se deparam com essas situações. “O silêncio é cumplicidade”, explica.

Sobre o futuro mandato na ACR, Deborah adianta que há várias questões que deve endereçar, inclusive a grande escassez de mão de obra em reumatologia nos Estados Unidos. “Em todo o país não há reumatologistas suficientes para cuidar de crianças e adultos que sofrem de doenças reumáticas. Há oito ou nove estados sem um único reumatologista pediátrico”, informa.

Segundo ela, a ACR está desenvolvendo soluções inovadoras destinadas a aumentar a força de trabalho e que pretende apoiar e expandir esses esforços. A especialista avalia que é importante recrutar e manter médicos engajados e também que todos os reumatologistas saibam que há lugar para eles na ACR.