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Aquecimento global compromete produtividade do trabalho ao ar livre

Estudo da TNC em conjunto com universidades norte-americanas faz relação da perda de produtividade e bem-estar de trabalhadores ao ar livre com o aquecimento global

trabalho ao ar livre
por Redação janeiro 25, 2022
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    Impacto positivo e legados sustentáveis

As pessoas que trabalham ao ar livre estão com o bem-estar e a produtividade arriscados pelo aumento da temperatura global. É o que revela um estudo realizado conjuntamente pela Universidade Duke, Universidade de Washington e a instituição para conservação da natureza (The Nature Conservancy – TNC). O relatório foi publicado na revista científica One Earth no final do ano passado e teve como base as condições de trabalho consideradas seguras, informações de satélite e dados populacionais.

Desmatamento acelera o aquecimento global

O aquecimento global, associado ao desmatamento recente, aumentou a exposição ao calor para 4,9 milhões de pessoas ao redor mundo, incluindo 2,8 milhões que trabalham ao ar livre. Para o futuro, o levantamento considera que o aquecimento de mais 2°C em relação à temperatura atual pode afetar mais 250 mil trabalhadores, que podem perder cerca de duas horas de trabalho seguro por dia, em comparação ao que praticavam em 2003.

A segurança do trabalho, portanto, considerando os impactos na saúde do trabalhador em uma determinada umidade e temperatura, foi um dos pontos de maior alerta. Em suma, o estudo deduziu que houve reduções significativas nas horas seguras de trabalho em áreas desmatadas, quando comparadas com as de floresta tropical preservada.

Florestas são ar-condicionado natural

florestas

“As descobertas destacam o papel vital das florestas tropicais como ‘ar-condicionado natural’, em especial para as populações mais vulneráveis às mudanças climáticas, onde o trabalho ao ar livre tende a ser a principal opção produtiva”, disse Luke Parsons, pesquisador da Duke University. Ele acrescentou que os dados reforçam a importância das florestas tropicais na mitigação dos efeitos do aquecimento global.

Nick Wolff, coautor da pesquisa e cientista de mudanças climáticas da TNC, corrobora a necessidade de conter e reverter o desmatamento das florestas. Para ele, está cada vez mais evidente que remover a floresta tropical não é ruim apenas para as mudanças climáticas globais, mas também para os ecossistemas e comunidades locais.

“Já sabíamos que o desmatamento tropical está associado a aumentos localizados de temperatura. Mas, devido ao aquecimento acelerado que está ocorrendo em todo o planeta, é urgente realizar mais pesquisas sobre como as mudanças estão afetando populações humanas vulneráveis em todos os trópicos”, disse. “Os vários compromissos para conter e reverter o desmatamento que surgiram na COP 26, em Glasgow, foram apenas um começo. Agora precisamos ver esses compromissos se convertendo rapidamente em ações locais tangíveis”, completou.