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Ações ESG estão levando a Gerdau para o futuro

Gustavo Werneck, CEO da companhia, revela como o aumento de diversidade e negócios inovadores - incluindo construtechs e logtechs - têm pavimentando a modernização da empresa que completou 120 anos e bateu recordes de faturamento em plena pandemia

Gerdau
por Redação fevereiro 17, 2022

Com uma nova estruturação, o que inclui um portfólio com dez empresas, sendo boa parte de inovação e tecnologia, e a aposta em uma liderança cada vez mais diversa, a Gerdau obteve resultados recordes em plena pandemia. Ao completar 120 anos, a multinacional brasileira foi altamente comentada em 2021 ao atrelar parte dos bônus dos executivos a metas ESG, ponto que foi expoente de outras ações de sustentabilidade da companhia, incluindo a criação de uma empresa de grafeno (Gerdau Grafene). 

Acompanhe, nesta entrevista exclusiva que o Seja Relevante realizou com Gustavo Werneck, como as ações ESG estão levando a Gerdau para o futuro.

Uma pesquisa da FDC levantou que, de cada dez CEOs do Brasil, apenas um é mulher ou negro. Em contrapartida, a Gerdau tem repercutido que vem aumentando anualmente a quantidade de líderes negros. Pode comentar sobre esse cenário?

Gustavo Werneck – Continuamos trabalhando para ser uma empresa cada vez mais diversa e inclusiva, com importantes avanços, como o aumento de pessoas negras em posição de liderança: 16% em 2019, 25% em 2020 e 26% em 2021.

Diferentemente do trabalho para inclusão de mulheres, que partiu quase do zero – já que a indústria do aço é tradicionalmente masculina – o trabalho com colaboradores negros é no sentido de visibilidade profissional e planejamento de carreira. Assim, mais que esperar uma ascensão natural de colaboradores negros para cargos de liderança, ampliamos a participação de negros em todos os programas internos de formação de líderes e investimos em ações afirmativas para os programas de estágio e trainee, com bons resultados. Em 2020, por exemplo, nosso Programa de Estágio G.Start teve 37% de pessoas negras contratadas e o Programa de Trainee G.Future contratou 30% de pessoas negras.

Ainda temos um caminho a percorrer, principalmente em relação à alta liderança, mas entendemos que a inclusão é uma jornada e, passo a passo, alcançaremos um ambiente cada vez mais diverso e inclusivo. Neste sentido, em junho de 2020, a Gerdau assinou o manifesto Seja Antirracista, que propõe que empresas assumam o compromisso público de lutar contra o racismo estrutural e institucional, aderindo às práticas antirracistas no seu dia a dia. Com a assinatura do manifesto, a empresa assume o compromisso de apoiar organizações e projetos liderados por pessoas negras ou ligados à pauta antirracista, dedicar horas de treinamento de educação racial aos colaboradores e divulgar o perfil de diversidade na companhia, bem como definir metas de empregabilidade para profissionais negros. Além disso, a Gerdau realizou uma série de iniciativas nesse sentido como o Gerdau Tranforma e o Career Talks com líderes negros, entre outros.

Você pode dar mais detalhes das outras iniciativas?

Gustavo Werneck – A Gerdau faz parte de dois compromissos relevantes para a causa da equidade racial: o Movimento Pela Equidade Racial é uma coalizão entre empresas para um futuro com mais lideranças negras, geração de empregos e ações de transformação, a partir da equidade racial. Também fazemos parte do Pacto de Promoção da Equidade Racial, que tem como uma de suas premissas transformar as empresas em agentes efetivos no combate à desigualdade racial no país. A iniciativa foi desenvolvida em um ano por 140 apoiadores, entre CEOs, empresários, terceiro setor e acadêmicos, e a Gerdau é uma das companhias que adotou o Pacto de forma voluntária. Nós entendemos que o papel das companhias é construir um ambiente de trabalho antirracista e inclusivo, e o Pacto servirá como um guia para compreendermos as demandas por mais equidade, com a adoção de ações afirmativas e investimentos sociais no Brasil.

Há metas para a diversidade da liderança da Gerdau? Quais seriam?

Gustavo Werneck – Sim. As metas ESG estão atreladas ao Plano de Incentivo de Longo Prazo (ILP) e, neste caso, ainda não há resultados finais. Um dos indicadores considerados é a meta de 30% de mulheres em cargos de liderança em 2025. Hoje já estamos em 23% e trabalhando para alcançar nosso objetivo o mais breve possível.

Recentemente, a Gerdau atrelou bônus de executivos a ações ESG. A iniciativa ainda é válida? 

Gustavo Werneck – O ILP também aborda a liderança sênior da companhia. A norma, que começou no ano passado, estipula que cerca de 20% do valor dos bônus de longo prazo, incorporados à remuneração variável dos executivos, estarão condicionados ao cumprimento das metas ESG. A mensuração desse percentual de metas ESG será calculada a partir de dois novos indicadores, sendo que um deles é a porcentagem de mulheres em cargos de liderança.

Nesse sentido, desenvolvemos, em 2020, o programa Helda Gerdau, criado para apoiar a formação e o crescimento de líderes mulheres que pretendem assumir posições de destaque dentro da empresa. O programa tem sua segunda edição prevista para 2022.

Como a Gerdau define ESG e o quanto o S representa nessa definição?

Gustavo Werneck – Na Gerdau, cada vez mais, a agenda ESG passa a ser vista como fator crucial a ser levado em conta no debate, no planejamento e na tomada de decisões no dia a dia da empresa. Em outras palavras, os temas ambientais, sociais e de governança têm hoje peso estratégico relevante na alta instância interna da empresa.

Nesses mais de 120 anos de história, nossos valores se mantêm sólidos, em especial por meio da nossa intensa atuação nos projetos sociais, representados pela letra “S” do ESG. Desde o início, trabalhamos com ações de responsabilidade social, uma vez que é vocação da companhia gerar impacto positivo nas comunidades vizinhas e sociedade e deixar um legado positivo para a sociedade.

Durante a pandemia, por exemplo, direcionamos investimentos sociais para o combate aos efeitos do vírus. Foram mais de R$ 20 milhões investidos, parte dos quais destinados à construção de três hospitais: um em Porto Alegre (RS) e dois em São Paulo (SP), deixando um legado permanente a essas regiões, além de ações implantadas para minimizar os impactos nas comunidades em que operamos.

 Além disso, alinhada com nossa estratégia social, que tem o eixo de habitação como um dos pilares estratégicos, lançamos, em 2021, o programa Reforma Que Transforma, que tem como objetivo fomentar a transformação do panorama da habitação de baixa renda no Brasil. Nessa primeira etapa, o projeto contribuirá com a melhoria de mais de 13 mil habitações vulneráveis no Brasil, ao longo de 10 anos, a partir de 2022. Com investimento de R$ 40 milhões, a empresa oferecerá às famílias duas alternativas: crédito a juros abaixo do mercado e doação integral da reforma realizada pelo projeto, conforme premissas de vulnerabilidade social.

No ano passado, a Gerdau anunciou alguns dos seus melhores resultados financeiros ao longo de 120 anos de empresa. Isso tem relação com as ações de diversidade e de ESG comentadas anteriormente?

Gustavo Werneck – Os últimos 12 meses foram históricos para a Gerdau em vários sentidos. Além de completarmos 120 anos em janeiro de 2021, conseguimos entregar resultados recordes em meio à pandemia. Isso é consequência de toda a transformação cultural pela qual a empresa vem passando, que a tornou mais ágil, simples, digital e inovadora. Seguimos priorizando a segurança e o bem-estar de colaboradores, comunidades, clientes e fornecedores. Nada disso seria possível sem nosso time operacional. Nossos colaboradores e colaboradoras se superaram ao máximo, por isso alcançamos resultados financeiros e operacionais extraordinários neste ano de celebração para a empresa. 

 As tomadas de decisão da empresa passam por elementos de sustentabilidade e estão atreladas ao plano estratégico de ação ESG. Na alta liderança, buscamos formas de dar visibilidade estratégica à sustentabilidade, o que nos permitirá levar a organização para o futuro.

O setor da construção civil teve bons resultados em 2020 e 2021. A que ponto os bons resultados da Gerdau estão atrelados a isso?

Gustavo Werneck – A indústria da construção civil é um setor estratégico para Gerdau, que exerce um papel importante na oferta de materiais que contribuem para o segmento. Por isso, temos investido em soluções inovadoras para atender às necessidades de nossos clientes, como o Juntos Somos+, um programa de fidelidade do varejo de material de construção que nasceu em 2019 por meio da sociedade entre Gerdau, Votorantim Cimentos e Tigre. Atualmente, a iniciativa conta com mais de 20 empresas participantes, 80 mil lojas e 500 mil profissionais que se capacitam, pontuam e resgatam prêmios da rede todos os dias.

Neste período, a Gerdau Next, se estruturou e se dedica a construir novos empreendimentos, incluindo iniciativas em construção civil, logística e mobilidade e sustentabilidade. Em construção civil, por meio desse braço de novos negócios, temos o objetivo de contribuir com a redução de uma lacuna relevante de produtividade com a adoção de novos métodos e tecnologias. 

Você tem exemplos?

Gustavo Werneck – Sim. Nesse sentido, adquirimos 33% da empresa de construção modular Brasil ao Cubo, construtech que garante obras até quatro vezes mais rápidas. Em 2020, construímos, em apenas 115 dias, cinco centros de tratamento com mais de 300 novos leitos para combate à Covid-19. Outro exemplo de novos negócios em construção civil é a G2Base, construtech que, em vez de apenas fornecer perfis de aço para as fundações de prédios, oferece um pacote de serviços e produtos que abrange dos perfis ao projeto e execução da obra da fundação, agregando tecnologia, velocidade e segurança para a fundação dos clientes.

Recentemente, a Gerdau avançou nas investidas em grafeno, com o lançamento da fábrica no RS e escritórios em SP e EUA. Como está essa estrutura atualmente e qual é a importância desses negócios para as metas ESG da empresa?

 Gustavo Werneck –A Gerdau Graphene faz parte do portfólio de empresas da Gerdau Next, e passou a atuar como uma companhia focada na produção, desenvolvimento e comercialização de produtos com aplicação de grafeno no Brasil e no continente americano em 2021. Além de polímeros, atuamos também em produtos para construção civil, lubrificantes, elastômeros e tintas.

A Gerdau Next, nascida em 2020, tem tem seis eixos de investimentos tratados como prioritários: (1) novos modelos que aumentam a produtividade no setor de construção; 

(2) iniciativas que posicionem a Gerdau como ator importante em logística e infraestrutura; (3) processos de reciclagem de sucata metálica; (4) projeto em energias renováveis; (5) desenvolvimento de materiais avançados e suas aplicações; e (6) criação de soluções digitais disruptivas.

Quais são os negócios da Gerdau atualmente?

Gustavo Werneck – Ao todo, temos 10 empresas no portfólio, e entre as principais estão a Juntos Somos Mais, startup com o maior ecossistema do varejo da construção; Brasil ao Cubo, construtech de construção off-site na qual a obra não acontece no terreno, mas dentro de um parque fabril, com maior controle de processos e materiais e garantindo obras até quatro vezes mais rápidas; Gerdau Graphene; Ventures Gerdau, aceleradora de startups lançada em agosto de 2020; G2Base, construtech que industrializa e integra a fundação em aço de obras, gerando novos padrões de produtividade; G2L, logitech que, por meio de inteligência artificial, garante fretes mais competitivos, tanto para a própria empresa quanto para clientes e parceiros; e a NIMA (Núcleo de Inovação em Materiais Avançados) que estuda tecnologias disruptivas além do core business.